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Mostrando postagens de março, 2020

Isolamento - Dia 5

Quinta-feira, 26 de Março de 2020 Hoje acordei particularmente optimista!  Vou tentar estabelecer horários e rotinas, deitar cedo e cedo erguer, a ver se quando voltar à normalidade não me custa tanto. Resolvi, finalmente, fazer a feijoada de cogumelos que andava a adiar desde segunda-feira. Do pouco se faz muito, tenho comida para pelo menos mais 4 refeições. Eu, que não percebo nada de números nem de estatísticas epidemiológicas (tenho umas vagas noções devido à licenciatura), começo a "desconfiar" que a malta se está mesmo a portar bem e que vamos conseguir vencer isto. Temos que vencer! E hoje tivemos mais um dia de sol. Tudo vai correr bem, todos vamos ficar bem.

Isolamento - Dia 4

Quarta-feira, 25 de Março de 2020 Da minha janela vejo que muita gente aqui na aldeia continua a fazer a sua vida normal. Só vão ao pão, depois ao mini-mercado, entretanto saem para levar o lixo. Há carros, gente a pé, tractores, motorizadas. Acredito que, a grande maioria, não se apercebe bem daquilo que está a acontecer. Ou apercebem, mas continuam a achar que nada lhes irá acontecer. Veremos. Foram anunciados hoje 6 casos no concelho. Um número pequenino, mas que me preocupa grandemente: e se algum dos casos foi numa das fábricas que continuam a laborar? Quantos mais irão surgir. Aguardo expectante. Já vos disse que hoje esteve um belo dia de sol? Tudo vai correr bem, todos vamos ficar bem.

Isolamento - Dia 3

Terça-feira, 24 de Março de 2020 Esteve um belo dia de sol. Continuo na minha saga de Netflix, livros e cozinha. Sem horários e sem pressões, tempo é coisa que não me falta. Hoje já me sinto mais calma. É aquela segurança que estar em casa nos dá. Tudo vai correr bem, todos vamos ficar bem.

Isolamento - Dia 2

Segunda-feira, 23 de Março de 2020 Foi dia de ir às compras ao mini-mercado e à frutaria aqui da aldeia. Felizmente, localizam-se aqui na rua, bem pertinho de casa. Mas e o medo? Vestir a roupa de ir à rua, deixar telemóvel em casa, levar só os sacos, a lista das compras e o cartão multibanco. Fazer as compras o mais rápido possível: tive que ir por duas vezes, senão não chegava a casa a pé com os sacos. Entrar em casa, descalçar as sapatilhas à porta. Água com sabão da loiça (que já tinha deixado preparada), limpar todas as embalagens. Limpar tudo muito bem, secar e arrumar. Limpar a mesa (felizmente é de vidro!) com água e lixívia. Deixar os sacos lá fora pendurados (só os volto a tirar para a semana, quando voltar às compras). Despir, enfiar a roupa na máquina, pôr a lavar. Banho. Os meus novos rituais. Os nossos novos rituais. Quanto tempo iremos aguentar viver com medo? Tudo vai correr bem, todos vamos ficar bem.

Isolamento - Dia 1

Domingo, 22 de Março de 2020 A loja onde trabalho fechou na quarta-feira, dia 18 de Março. Antes disso tinha trabalhado todo o fim-de-semana, com muitas peripécias e, principalmente, gente mal informada e mal agradecida. Nessa quarta-feira era suposto estar de férias e ir desanuviar a cabeça para Barcelona. Mas o destino não me deixou. Em Outubro, quem sabe? Com pais de 70 anos, qual a atitude mais sensata? Fechar-me em casa, sozinha com o meu casal de periquitos. Com pouca comida em casa, sem carro, numa aldeia. Tudo se resolve, havia feijão para demolhar e cozer. Segunda-feira é dia de acordar cedo, vestir a roupa de ir à rua e tratar de comprar o essencial no mini-mercado e na frutaria aqui da rua. Descobri o encanto da Netflix (olá "La Casa de Papel"!), tenho uma pilha de livros jeitosa para ler. E muitas limpezas para fazer. Tudo vai correr bem, todos vamos ficar bem.